Nos últimos dias, a comunidade do jiu-jitsu foi impactada por uma denúncia tornada pública por Alexa Herse envolvendo André Galvão, com repercussão direta em academias, atletas e torneios. O treinador negou as alegações e entidades do esporte se posicionaram.
Aqui, você vai entender o que está confirmado, o que ainda é alegação e, principalmente, o que muda na prática para quem treina (do iniciante ao competidor).
este conteúdo é informativo. Relata fatos publicamente divulgados e não substitui orientação jurídica nem investigação das autoridades. Evite linchamento virtual e foque em segurança e procedimentos corretos.
- A atleta Alexa Herse publicou um relato e afirmou que se desligou da Atos Jiu-Jitsu, além de ter buscado as autoridades locais.
- André Galvão negou as alegações e citou medidas legais.
- A IBJJF publicou um posicionamento destacando políticas de proteção (ex.: treinamento e checagens).
- O caso reacendeu um debate antigo: hierarquia, poder e limites na relação professor–aluno.
- Se você treina, compete ou dá aula: revise práticas de segurança hoje (tem checklist e passo a passo neste artigo).
O que está confirmado até agora (e o que ainda é alegação)
Confirmado (porque há declaração pública e repercussão verificável)
- Houve um relato público atribuído a Alexa Herse, com alegações de conduta inadequada em contexto de treino, e o anúncio de desligamento da Atos Jiu-Jitsu.
- André Galvão publicou uma resposta negando e mencionando providências legais.
- A IBJJF se manifestou reforçando políticas de integridade e segurança (incluindo treinamento e checagens citadas no posicionamento repercutido).
Ainda é alegação (não dá para tratar como fato sem apuração)
- Detalhes específicos do relato e qualquer conclusão definitiva sobre responsabilidade dependem de apuração (autoridades/justiça e procedimentos internos).
Por que isso afeta o jiu-jitsu inteiro (não só uma equipe)
Quando surge uma denúncia desse tipo, o impacto vai além do “caso do dia”:
- Confiança no ambiente de treino: jiu-jitsu é contato físico. Sem regras claras, limites viram “zona cinzenta”.
- Cultura de hierarquia: em muitos lugares, faixa e status viram “autoridade incontestável”. Isso pode silenciar alunos.
- Risco para menores e iniciantes: quem está começando (ou é juvenil) costuma ter menos repertório para identificar sinais de alerta.
- Efeito em patrocínios, eventos e filiações: organizadores e entidades tendem a ser pressionados a reforçar políticas, códigos de conduta e critérios.
Definição direta: o que é “conduta inadequada” no tatame?
Conduta inadequada no jiu-jitsu é qualquer comportamento (verbal ou físico) que ultrapasse limites profissionais e de consentimento, causando constrangimento, intimidação ou vantagem indevida na relação professor–aluno — especialmente quando existe diferença de poder (graduação, idade, posição na equipe).
Tabela: sinais de alerta vs boas práticas de uma academia segura
| Sinais de alerta (atenção) | Boas práticas (o ideal) |
|---|---|
| Treinos “a sós” sem transparência (especialmente com menores) | Regra de “porta aberta”, horários e espaços visíveis, supervisão |
| Comentários recorrentes sobre corpo/aparência de alunos | Comunicação objetiva e profissional (técnica, segurança e performance) |
| Aluno é isolado do parceiro que escolheu sem motivo técnico claro | Critérios técnicos explicados e respeito à autonomia do aluno |
| Medo de reclamar (“vai ser queimado na equipe”) | Canal de escuta e denúncia com confidencialidade e proteção |
| Falta de regras escritas | Código de conduta, onboarding e lembretes periódicos |
| “Aqui sempre foi assim” como justificativa | Cultura de revisão: feedback, compliance e treinamento contínuo |
Passo a passo: o que fazer se você sofrer ou testemunhar algo grave
- Priorize sua segurança imediata. Saia da situação e procure um local seguro.
- Registre o máximo de contexto possível (data, horário, local, quem estava presente).
- Procure apoio de alguém de confiança (família, amigo, colega de treino fora da hierarquia direta).
- Use canais formais. Em caso de crime ou risco, procure as autoridades e/ou canais oficiais da sua região.
- Comunique a direção da academia por escrito, se for seguro fazê-lo (e peça protocolo/retorno).
- Evite exposição pública impulsiva (prints, nomes, “tribunal da internet”). Isso pode atrapalhar apuração e te colocar em risco.
- Se for menor de idade, envolva um responsável imediatamente.
Recomendações práticas para atletas e professores (o que muda a partir de agora)
Para atletas (principalmente iniciantes e juvenis)
- Prefira treinar em horários com mais gente no tatame.
- Se algo te deixou desconfortável, não normalize. Desconforto recorrente é sinal.
- Tenha um “plano de saída”: quem você chama, para onde você vai, com quem você conversa.
- Em equipe grande, procure um referente de confiança fora da linha direta (ex.: professora, coordenador, responsável administrativo).
Para academias e instrutores
- Código de conduta (curto, claro, assinado por todos).
- Política para menores: supervisão, autorização, e regra explícita contra situações de isolamento.
- Treinamento de prevenção: a IBJJF citou protocolos e exigências ligadas a treinamento/checagens para faixas-pretas em determinados processos. Use isso como referência para elevar seu padrão local.
- Canal de denúncia: e-mail/formulário com responsável definido, prazos e proteção contra retaliação.
- Cultura de “sem idolatria”: professor é referência técnica, não dono da vida do aluno.
Erros comuns ao falar de denúncias no jiu-jitsu
- Culpabilizar quem denuncia (“por que não falou antes?”). Isso ignora medo, dependência e hierarquia.
- Transformar tudo em torcida organizada. Caso sério não é “Fla x Flu”.
- Espalhar boatos como se fossem prova. Isso destrói reputações e confunde o debate.
- Tentar “abafar” para proteger equipe/marca. No fim, isso costuma piorar o dano.
- Achar que contato físico do esporte justifica tudo. Existe diferença entre técnica, consentimento e abuso de poder.







