Se você treina jiu-jitsu, entender a história do BJJ muda seu “olhar” no tatame: por que certas posições viraram base, como as regras moldaram o jogo e como a IBJJF ajudou a padronizar o esporte. Aqui você tem uma linha do tempo clara — do Conde Koma à era das grandes competições.
- 1914–1917: Mitsuyo Maeda (Conde Koma) chega ao Brasil e influencia o caminho do jiu-jitsu por aqui.
- 1925: Carlos Gracie abre a primeira academia da família no Rio — marco decisivo na história do BJJ.
- 1993: o BJJ explode globalmente com o MMA/UFC e a ideia de “grappling eficiente”.
- 1994: nasce a CBJJ, estruturando a fase “esportiva” do jiu-jitsu no Brasil.
- 1996: acontece o primeiro Mundial (Mundials), consolidando o campeonato como referência.
- Anos 2000+: a atuação internacional se fortalece sob a sigla IBJJF, com regras e circuitos globais.
- 2021: atualização importante: heel hooks e knee reaping liberados no No-Gi adulto marrom/preta (IBJJF).
O que é BJJ (em uma definição direta)
Brazilian Jiu-Jitsu (BJJ) é uma arte marcial e esporte de grappling focado em controle no solo, posições dominantes e finalizações (estrangulamentos e chaves). Ele nasce no Brasil a partir de influências do judô/Kodokan e do “jiu-jitsu” como era chamado fora do Japão no início do século XX.
Observação importante: a própria história tem disputas de narrativa (por exemplo, quem ensinou exatamente quem, em quais anos). O que importa aqui é o mapa confiável dos marcos e do contexto.
Linha do tempo do BJJ em 10 marcos (do básico ao essencial)
| Ano/Período | Marco | Por que isso importa pra quem treina |
|---|---|---|
| 1914 | Maeda chega ao Brasil (registros indicam 1914) | Começa a influência direta do judô/“Kano jiu-jitsu” no país. |
| 1917 (contexto) | Demonstrações e ensino em Belém/PA ganham força | O jiu-jitsu vira “assunto” no Brasil e começa a criar raiz. |
| 1925 | Primeira academia dos Gracie no Rio | Estrutura de ensino contínuo e evolução do método. |
| Décadas seguintes | Desafios/vale tudo e cultura de provar eficiência | Ajuda a formar mentalidade de “funciona sob pressão”. |
| 1993 | UFC populariza o BJJ no mundo | O jiu-jitsu vira desejo global: “quero aprender isso”. |
| 1994 | CBJJ é fundada | Organização, calendário e estrutura competitiva nacional. |
| 1996 | 1º Mundial (Mundials) | O “título que pesa” nasce e vira termômetro do esporte. |
| Anos 2000 | IBJJF se consolida como circuito global | Padroniza eventos, ranking, filiação e regra em escala mundial. |
| 2015+ | Eventos de massa e convenções (ex.: Jiu-Jitsu CON) | O esporte vira indústria (mídia, seminários, campeonato, feira). |
| 2021 | Mudança relevante no No-Gi (heel hooks/reaping) | Ajusta o “meta” competitivo e aproxima do submission grappling moderno. |
Era Maeda: o “Kano jiu-jitsu” chegando ao Brasil (1914–1920s)
Nos jornais e anúncios da época, judô e jiu-jitsu muitas vezes eram tratados como sinônimos fora do Japão, usando expressões como “Kano jiu-jitsu”. Isso explica por que você vai ver o termo “jiu-jitsu” descrevendo demonstrações que vinham do Kodokan.
Mitsuyo Maeda (Conde Koma) é uma figura central nesse começo: um judoca do Kodokan que viajou, fez exibições, aceitou desafios e acabou influenciando a linhagem que, com o tempo, se tornaria o jiu-jitsu brasileiro.
1925: a virada “academia + método”
O marco de 1925 aparece com força em fontes ligadas à própria tradição do jiu-jitsu: a criação da primeira academia da família no Rio de Janeiro. A partir daí, o ensino ganha rotina, turma, continuidade — e isso acelera evolução técnica e pedagógica.
Por que isso interessa hoje?
Porque boa parte do que você chama de “fundamentos” (base, postura, controle, escapes, finalizações clássicas) nasce quando o conhecimento deixa de ser evento/demonstração e vira currículo.
Do dojo ao esporte: quando regra começa a moldar o jogo
Quando o jiu-jitsu entra forte na lógica esportiva, a pergunta muda de “funciona?” para “funciona dentro das regras?”. Aí surgem efeitos claros:
- posições que dão pontos viram prioridade (passagem, montada, costas)
- estratégia de tempo e vantagem vira parte do jogo
- preparo físico e gestão de luta passam a ser treino “tão técnico quanto”
A IBJJF mantém um Rule Book e guias oficiais de regras/atualizações (vale consultar sempre, porque regra muda).
Passo a passo: como “ler” uma luta no padrão IBJJF (sem complicar)
- Entenda o objetivo real: controlar, evoluir posição e finalizar (ponto é consequência).
- Marque as 4 grandes metas: queda, passagem, montada, costas.
- Diferencie ponto de quase-ponto: vantagens entram quando faltou detalhe.
- Observe quem dita o ritmo: quem ataca mais tende a “ganhar” a leitura do árbitro.
- Cuidado com punições: passividade e ações ilegais mudam tudo.
- Feche a luta com inteligência: quando estiver na frente, priorize controle e segurança.
Dica prática: imprima (ou salve) a tabela de posições + pontuação do seu campeonato-alvo e treine com isso em mente. (E confira sempre no material oficial antes de competir.)
CBJJ e IBJJF: o que são e por que isso importa
- CBJJ: confederação ligada ao cenário brasileiro, com calendário, ranking e resultados (inclusive registros históricos de campeonatos).
- IBJJF: circuito/organização com atuação internacional, responsável por eventos de grande peso (Mundial, Pan, Europeu, No-Gi Worlds etc.).
Existe confusão de datas porque há fontes que tratam CBJJ (1994) como origem do “sistema” e citam a consolidação internacional (IBJJF) como etapa posterior. O ponto prático é: CBJJ estrutura o Brasil; IBJJF escala o modelo para o mundo.
1996: o primeiro Mundial (Mundials) e a era do “título que pesa”
O Mundial vira o grande símbolo do jiu-jitsu esportivo moderno. Fontes históricas apontam 1996 como a primeira edição do World Jiu-Jitsu Championship, no Rio de Janeiro.
Na prática, isso cria:
- uma “temporada” de treinos (camp)
- critérios de excelência mais claros
- rivalidades e escolas com identidade de jogo
Atualizações relevantes de regras (exemplo que mudou o jogo)
Uma das atualizações mais marcantes dos últimos anos foi a validade, a partir de 01/01/2021, de mudanças incluindo heel hooks e knee reaping para No-Gi adulto marrom e preta (IBJJF).
O impacto no treino
- mais atenção à defesa de perna (ashi garami)
- necessidade de tap rápido e treino responsável
- ajuste de estratégia para quem vinha só do Gi
Erros comuns ao estudar a história do BJJ
- Achar que a história é uma linha reta “sem disputa de narrativa”.
- Misturar judô, jujutsu e “Kano jiu-jitsu” sem contexto histórico.
- Reduzir tudo a “uma família” e ignorar federações, atletas e escolas que ajudaram a esportivizar.
- Estudar história e esquecer o principal: o que isso muda no seu treino hoje.
- Copiar datas soltas sem checar fonte (principalmente em posts virais).







